minha casa azul

Era uma vez uma alameda.

Dessas nas quais as árvores dos dois lados da calçada se encontram.

Uma alameda de verdade, não daquelas que já foram e só conservaram o nome, muito menos daquelas que jamais foram de fato.

Era uma vez uma casa azul.

Uma casa azul com bay window grande, voltada para uma alameda.

Aquela alameda de verdade, onde as copas se unem cobrindo a passagem das pessoas, garantindo a sombra e a umidade perfeita para o descanso em meio ao caos.

Era uma vez um jardim perfeito, situado em frente a bay window grande da casa azul da alameda de verdade. Um jardim com malmequeres brancos e botões dourados.

Era uma vez um rapaz, que andando pela alameda de verdade não resistiu e parou; parou em frente a tal casa azul, observou por alguns instantes a bay window e não viu ninguém. Continuou ali por mais algum tempo, talvez lembrando do momento em que deixou seus sentimentos na porta de uma casa grande e verde, logo ali na rua de cima. É verdade que a casa verde era grande, mas não tinha bay window e não ficava exatamente em uma alameda, apesar do prefixo. Ninguém apareceu na bay window.

Nenhum cachorro latiu e não passou uma moça de bicicleta ou uma criança atrás da bola.

Abaixou. Hesitou. Mesmo abaixado, olhou novamente e pegou uma das flores brancas de botão dourado, que estavam ali no jardim perfeito em frente a grande bay window da casa azul que ficava na alameda, aquela alameda de verdade.

Bem me quer! Mal me quer! Bem me quer! Mal me quer! … Bem me quer!

Sorriu, continuou seu caminho mas agora com um sorriso bobo no canto da boca.

Era uma vez um jardim, onde faltava uma flor, que embelezava uma casa azul em uma alameda com pétalas brancas espalhadas sujando o asfalto.

Deixe uma resposta